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Zelda: Breath of the Wild, a fuga perfeita da realidade.

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É óbvio que a maioria das pessoas que acompanha meu diário aqui no blog já tá é cansada de ler e ouvir impressões sobre Breath of the Wild, e o que eu achei desse jogo não é nada diferente do que todo mundo comenta por aí. O que acontece é que o jogo é tão grandioso que não importa quantas opiniões surjam, todo mundo vai ver o jogo de uma forma diferente, justamente por conta da grande gama de possibilidades que essa obra de arte oferece.

Diante da história simples da Hyrule decadente, com um Link que acorda sem memórias 100 anos após uma grande derrota, nos vemos livres para fazermos o que quisermos em um mundo aberto e imenso. Numa época em que muitos jogos se veem caindo na necessidade de oferecer um open-world para os jogadores, Zelda se reinventa dentro dessa crescente -e talvez repetitiva- onda e nos mostra o que é a real liberdade dentro de um jogo.

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A partir do momento em que você acorda, todas as suas ações dentro daquele mundo são definidas a partir das sua decisões. A primeira missão que recebemos é também a missão definitiva -a de destruir Ganon e salvar Hyrule- e a partir daí cabe ao jogador seguir o seu próprio rumo, descobrindo cada pequeno segredo naquele mundo, conhecendo mais sobre a história ao desbloquear mais missões principais ou desbravando cada uma das 120 shrines que Hyrule tem a oferecer.

Por se passar em um mundo fantástico com tantas possibilidades, arrisco a dizer que, pra mim, Breath of the Wild se transformou na experiência definitiva de “fuga da realidade”. É a gama de possibilidades da realidade transposta para um universo mágico. Quem aqui, no mundo real, sai levantando um pedaço de metal no meio de uma tempestade? Quem nunca se arriscou a jogar na panela um monte de ingrediente que tem na geladeira e arriscar uma receita? Quem não tá de vez em quando na pindaíba quando o assunto é dinheiro? Todos esses pequenos detalhes estão dentro do jogo misturados à uma boa pitada de realidade fantástica, fazendo com que aquele seja um mundo no qual gostaríamos de viver pra sempre.

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E não só o mundo é tão real como os seus habitantes também são extremamente carismáticos. Ou nem todos. Em Hyrule todos os habitantes são únicos, reais, sempre com alguma informação útil para fornecer, uma história interessante para contar ou um favor para pedir. Favores esses que são diversos, sem formar um padrão de side-quests, sempre proporcionando experiências divertidas que, apesar da pouca recompensa após cumpridos, valem só pela satisfação de ajudar os habitantes. Afinal, Link é o herói daquele lugar e deve ajudar a todos!

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O mais legal de tudo é que Breath of the Wild me fez olhar para Zelda de uma maneira completamente diferente. Eu sempre fui muito fã da franquia, com jogos como A Link to the Past marcando a minha vida para sempre. No entanto os jogos em perspectiva 3D sempre me irritavam em pontos chave, seja em puzzles ou missões vagas, ainda que o saldo sempre fosse positivo no final. Mas a Hyrule do Nintendo Switch me deixou leve em 99% da aventura. Os puzzles são deliciosos de se resolver, principalmente os das shrines, transformando à caça a esses pequenos santuários um dos maiores vícios da jornada. As missões paralelas são claras em sua maioria, e mesmo quando um pouco vagas, o ato de se procurar a resposta -seja dentro do jogo ou pedindo ajuda na internet- é mais do que prazeroso! O 1% de irritação fica por conta dos cavalos que, acredito eu, sejam mais um elemento que reflete a realidade, pois sou péssimo em controlar tanto os reais quanto os virtuais. Mas nada que tenha me atrapalhado, pelo contrário, explorar o mundo a pé acabou me revelando muitos segredos escondidos que me passariam despercebidos em cima de uma montaria.

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No mais, eu poderia terminar esse post com “enfim”, “no fim”, “finalmente”, mas nenhuma dessas palavras cabe a The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Derrotar Ganon e salvar Hyrule não define o fim da sua jornada. Recuperar as quatro bestas gigantescas não é nem de longe uma fatia grande do jogo, assim como recuperar as memórias do herói e pegar a Master Sword não representam um ponto final na jornada. A Hyrule de Breath of the Wild transborda conteúdo, fazendo com que a missão principal seja apenas mais uma parte dessa infinidade de tarefas. Cada pessoa faz desse Zelda um jogo diferente, e cada Hyrule dentro de cada cartuchinho é moldada para ser o mundo perfeito de cada jogador.

Sinto muito A Link to the Past, mas Breath of the Wild é o melhor Zelda que eu já joguei.

2 comentários sobre “Zelda: Breath of the Wild, a fuga perfeita da realidade.

  1. Rafael Andreotti

    Sem dúvidas um dos melhores jogos que já tive o prazer de jogar! Terminar a história é só um detalhe, porque o jogo é tão gostoso que faz com que seja muito difícil deixá-lo de lado. Já passei das 100 horas e continuo querendo explorar essa Hyrule gigantesca <3

    1. Gabriel Campagnac

      Difícil demais largar, vira e mexe tenho vontade de voltar e jogar mais. Só não digo que é o melhor do ano porque ainda estamos em abril hahahahaha

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