Bonus Mission!

Tales of Berseria coloca a franquia em um outro nível!

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Tales of” é uma das minhas séries de jogos preferidas. Embora muitos jogos da série não sejam sempre considerados uma obra-prima, eu acho que a franquia sempre cumpre o que promete: entregar uma experiência divertida, descontraída e agradável, de um modo que o jogador se apega a essência da série, dificilmente se decepcionando. Mas Tales of Berseria, peça dessa análise, abre as portas para um novo nível de qualidade dentro da série, sendo assim o “Tales of” que eu e outros fãs esperávamos há muito tempo.

Embora a franquia utilize a ideia de “uma nova história a cada jogo”, muitas vezes ela quebra essa regra, e Berseria é mais um desses jogos, se passando mil anos antes de Tales of Zestiria, o lançamento anterior. Embora o jogo possa ser jogado por quem nunca experimentou Zestiria, ele trás uma experiência cheia de referências e curiosidades, sendo assim, a meu ver, indispensável ter jogado o anterior para se ter uma experiência bem mais completa.

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Berseria nos apresenta Velvet Crowe, uma jovem que vive com seu irmão Laphicet e seu cunhado Artorious, em um pequeno vilarejo, durante uma época em que o mundo é assolado por uma praga que transforma as pessoas em demônios. Em uma determinada noite, o vilarejo é atacado pela praga e Velvet sai em busca de sua família para que todos se salvem, mas o que ela acaba presenciando é o assassinato Laphicet pelas mãos de Artorious. Durante este mesmo evento, Velvet acaba sendo transformada em demônio e é aprisionada por Artorious, jurando assim, três anos depois, acabar com o homem que destruiu sua vida.

Essa história é o ponto de partida para uma trama complexa e muitíssimo bem construída. Eu não joguei todos os Tales (ainda), mas posso dizer com certeza que esse é um dos enredos mais incríveis de toda a série. Aqui, Velvet não é nenhuma heroína mas também não é nenhuma vilã, e sim uma pessoa atrás da mais pura vingança por motivos egoístas e que passará por cima de quem for para atingir seus objetivos. Como todo JRPG, temos novos companheiros no time com o passar do tempo, e todos eles tem seus próprios motivos para seguir Velvet.

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Conforme a história vai se desenvolvendo, vamos descobrindo elementos que se desencadearam nos acontecimentos de Zestiria, ou mesmo personagens do primeiro jogo que aparecem nessa história também, como Zaveid e Eizen. O grupo de personagens principais cresce muito com o desenrolar da história e vai moldando a relação entre si, realizando assim que, apesar das diferenças, precisam do companheirismo.

A trama possui um pacing excelente; não é cansativa em momento algum, e adiciona plot twists em momentos certeiros para deixar o jogador sem fôlego com as revelações durante muito tempo. A mitologia da duologia formada com Zestiria só cresce e aumenta em qualidade; Berseria é o raro caso em que o prequel supera o original, sendo relevante e essencial, fazendo com que o jogador até pense em jogar Zestiria mais uma vez, só para ter a sensação de ligar os pontos que são muito bem encaixados nesse lançamento mais recente.

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Quanto às mecânicas do jogo, quem acompanha a série, sabe o que esperar. O sistema de batalha, como sempre, é um show a parte. Em Berseria as lutas fazem o uso de todos os botões do controle, dando assim a possibilidade de uma variedade muito maior de combinação de movimentos, e possibilitando combos quase infinitos. Como sempre, todos os personagens podem ser controlados, fazendo com que as lutas nunca sejam cansativas.

A história não possibilita muitas side-quests. Mas sinceramente? Nunca vi muita graça nas side-quests dos jogos da franquia, de modo que nunca me empenhei em fazê-las. Acabei vendo isso como um ponto positivo, principalmente depois de Zestiria, que praticamente obrigava o jogador a fazer todos as side-quests se quisesse entender a história direito. O que resta em Berseria são algumas poucas histórias paralelas e uma lista de monstros especiais para caça, essa sim, bem divertida e útil, rendendo bastante dinheiro ao jogador.

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A exploração adiciona alguns novos elementos, mas nada que surpreenda muito quem jogou Zestiria. O que me agradou bastante foi a adição da Geoprancha, uma prancha que melhora e muito a velocidade de locomoção da personagem, e que espero que seja adotada sempre de agora em diante na série, pois facilita principalmente nas horas em que o backtracking é necessário.

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No entanto, Berseria inova pouquíssimo na criação de cenários. Pouca coisa no visual aqui chama a atenção, sendo que muitos elementos parecem ter sido aproveitados do jogo anterior. As dungeons são inteligentes, mas também pouquíssimas impressionam visualmente, e esse foi um dos poucos pontos negativos que encontrei no jogo. Esse ponto negativo se deve principalmente à reutilização da mesma engine desde Tales of Xillia, que deixa o jogo com a mesmíssima cara -tanto em cenários como no visual de alguns personagens- desde a era do PS3. Não que isso tenha estragado minha experiência, pelo contrário, quem me acompanha no Facebook sabe que eu dei nota 9/10 para o jogo. Mas eu não deixo de sentir que a franquia clama há muito tempo por uma renovação de visual e se daria muito bem, quem sabe, com a utilização dos gráficos em cel-shading, que foi introduzido e largado lá em Tales of Vesperia.

Em suma, com apenas um único ponto negativo, Tales of Berseria coloca a série de jogos em um novo patamar. A história riquíssima que expande o universo da duologia faz com que nós, fãs da série, fiquemos indecisos entre querer um jogo completamente novo ou um jogo nesse mesmo universo no próximo lançamento. As mecânicas do jogo estão mais polidas e divertidas e o jogo dessa vez entrega bem mais do que prometeu. Ainda que peque no visual, Berseria sem dúvida alguma deixa Velvet e seus companheiros marcados no coração dos jogadores como um dos melhores “Tales of” já criados.

4 comentários sobre “Tales of Berseria coloca a franquia em um outro nível!

  1. Marcell Solano

    Triste que o jogo parece de fato ter parado no tempo quanto ao uso de engine, mas nem me incomodo muito com isso tmb. To ansioso pra jogar Zestiria esse ano, queria muito Berseria tmb mas acho que vai demorar um pouco pra eu chegar nele D:

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